A Fundação Araucária anunciou que já aplicou mais de R$ 460 milhões em projetos de inovação no Paraná. Os recursos financiam pesquisas, apoiam startups e criam parcerias com grandes empresas para transformar ideias científicas em produtos que beneficiam a sociedade.
Celebrado nesta quarta-feira, 19 de outubro, o Dia da Inovação destaca a importância do conhecimento científico e tecnológico para o desenvolvimento econômico e social. No Paraná, a Fundação Araucária tem ampliado sua atuação no apoio à inovação, com investimentos superiores a R$ 460 milhões ao longo de sua trajetória. Os recursos são aplicados em programas de fomento, incentivo ao empreendedorismo, formação de profissionais qualificados e parcerias com o setor produtivo, contando com o apoio das Secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Inovação e Inteligência Artificial.
Entre 2004 e 2026, foram investidos R$ 142,7 milhões em recursos registrados em 45 chamadas públicas, envolvendo diferentes setores econômicos. Desse total, R$ 67,3 milhões correspondem à participação da Fundação Araucária e R$ 75,4 milhões a aportes de instituições parceiras. Essa articulação entre recursos públicos e privados é fundamental para garantir o financiamento contínuo da inovação no estado.
- Mais de R$ 460 milhões já foram investidos pela Fundação Araucária em projetos de inovação no Paraná.
- Os recursos provêm de parcerias entre a Fundação, empresas privadas e o governo estadual.
- R$ 318 milhões foram destinados aos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) desde 2019.
- O programa Centelha recebeu 1.221 propostas de 2.920 empreendedores em sua terceira edição.
- Grandes empresas como Renault, Sanepar e Bosch fazem parte das parcerias de pesquisa aplicada.
Recursos direcionados para áreas estratégicas
Além de iniciativas multissetoriais, os recursos estão direcionados a áreas como agronegócio, indústria, água e energia, saúde e biotecnologia. O objetivo é contribuir para aproximar o conhecimento produzido nas universidades das necessidades reais das empresas e da sociedade, criando soluções práticas para os desafios locais.
Para o coordenador de Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Fernando Lermen, o financiamento compartilhado é fundamental para ampliar os resultados das pesquisas e fortalecer a competitividade do Paraná. Ele destaca que a soma dos recursos da Fundação, de outras instituições e dos investimentos das empresas é essencial para transformar o conhecimento acadêmico em soluções concretas.
Esse financiamento permite desenvolver pesquisas, formar profissionais qualificados e criar produtos, processos e serviços que ampliam a competitividade das empresas e geram oportunidades para a população, afirma Lermen. Essa abordagem garante que a ciência não fique isolada em laboratórios, mas chegue ao mercado de trabalho e aos cidadãos.
NAPIs integram governo, empresas e universidades
Os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) integram essa política de articulação. Desde 2019, a Fundação Araucária investiu mais de R$ 318 milhões em 54 NAPIs. Essas estruturas reúnem instituições de pesquisa, empresas, governo e sociedade em torno de desafios estratégicos em áreas como agricultura, saúde, energia, inteligência artificial, sustentabilidade e biotecnologia.
A cooperação com empresas representa uma das frentes principais de atuação da Fundação. Foram R$ 18,3 milhões em chamadas conjuntas com empresas e organizações empresariais, sendo R$ 7,8 milhões da Fundação e R$ 10,5 milhões de contrapartidas dos parceiros privados. Essa divisão de custos demonstra o comprometimento do setor privado com o futuro tecnológico do estado.
Entre as instituições participantes estão Renault do Brasil, Sanepar, Bosch, Volvo, Prati-Donaduzzi, Biopark e cooperativas agroindustriais. Essas parcerias permitem desenvolver pesquisas aplicadas, incorporar novas tecnologias aos processos produtivos e ampliar a participação de pesquisadores em projetos de interesse do setor empresarial, acelerando a chegada de novidades ao consumidor.
Exemplos de sucesso nas parcerias empresariais
Um dos exemplos de sucesso é a cooperação com a Renault do Brasil, que reúne R$ 10,3 milhões em dez chamadas. Ao longo de 12 anos de parceria, mais de 150 bolsistas participaram de pesquisas, resultando em duas patentes registradas. A Sanepar também se destaca, com R$ 4,3 milhões em quatro chamadas realizadas em conjunto com a Fundação para melhorar a gestão hídrica e sanitária.
Esses casos ilustram como a união entre a academia e o setor produtivo gera resultados tangíveis, como patentes e processos mais eficientes. A experiência acumulada nesses projetos serve de modelo para outras empresas que desejam inovar, reduzindo riscos e custos de desenvolvimento ao contar com o suporte técnico das universidades.
Programas impulsionam startups e novos negócios
Além das parcerias empresariais, a Fundação Araucária mantém programas voltados ao desenvolvimento de novos negócios e à transformação de ideias em soluções tecnológicas. O Tecnova é um dos principais instrumentos de apoio a empresas que desenvolvem produtos, processos e serviços inovadores com risco tecnológico, oferecendo segurança para quem está criando algo inédito.
Outra iniciativa importante é o Programa Centelha, voltado a transformar ideias inovadoras em empreendimentos. Em sua terceira edição, realizada este ano, foram apresentadas 1.221 propostas por 2.920 empreendedores de 110 municípios paranaenses. Com isso, há a previsão de apoio a 48 empresas que nascem com o suporte da Fundação, fomentando o empreendedorismo pelo estado.
Para o chefe do Setor de Inovação da Fundação Araucária, Luis Brandt, um dos principais avanços está na diversificação dos instrumentos de fomento. Hoje, conseguimos atuar desde a estruturação de novos negócios até o apoio a empresas que já desenvolvem tecnologias e buscam ampliar sua presença no mercado. Essa diversidade de programas é importante porque cada projeto apresenta necessidades e desafios específicos, ressalta.
A atuação da Fundação contempla ainda o fortalecimento dos ambientes promotores de inovação, a integração entre universidades e empresas e o incentivo à formação de novos empreendedores. Esse ecossistema completo garante que a ideia não morra na fase de conceito, mas cresça e se torne uma empresa sustentável.
Novas estratégias ampliam a capacidade de inovação
Nos últimos anos, a Fundação Araucária também passou a incorporar instrumentos de planejamento, inteligência tecnológica e formação de profissionais especializados. O objetivo é ampliar a capacidade de inovação do Estado de forma estruturada e planejada, antecipando tendências de mercado e preparando a força de trabalho local para o futuro.
Entre as iniciativas está o programa Doutores Inovando no Setor Empresarial, que prevê R$ 15,5 milhões para a concessão de 117 bolsas. Na área de inteligência artificial, o HUBX IA busca incentivar a adoção dessa tecnologia nas empresas. A iniciativa é uma parceria entre a Fundação Araucária, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e o Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação.
Outra frente estratégica é representada pelas Rotas Estratégicas para o Futuro do Paraná CT&I 2040, que identificam competências, desafios e oportunidades em nove regiões do Estado. O trabalho envolveu cerca de 1.800 participantes, entre pesquisadores, empresários, gestores e especialistas, contribuindo para orientar políticas e investimentos em ciência, tecnologia e inovação de longo prazo.
A plataforma iAraucária complementa essa estratégia ao reunir informações sobre pesquisadores, laboratórios e competências científicas e tecnológicas. Ao facilitar a conexão entre as demandas do setor produtivo e as instituições de pesquisa, a plataforma agiliza a contratação de serviços técnicos e a colaboração em projetos.
Com essas diferentes frentes de atuação, a Fundação Araucária amplia os mecanismos de conexão entre pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e setor produtivo. A instituição fortalece a inovação como instrumento central para a geração de conhecimento, a competitividade empresarial e o desenvolvimento regional do Paraná, consolidando o estado como um polo de tecnologia no Brasil.


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