O Moegão, que custou R$ 650 milhões e aumenta em 63% a capacidade de receber trens de grãos, foi eleito o melhor projeto de modernização portuária da América Latina.
A Portos do Paraná conquistou a vitória na 2ª edição dos Prêmios Legado AAPA Latam 2026. O reconhecimento veio na categoria Desenvolvimento Portuário, focada no projeto do Moegão. O anúncio oficial foi realizado pela entidade na terça-feira (27). A cerimônia de entrega da estatueta ocorrerá entre os dias 1º e 4 de dezembro, durante o Congresso Anual da organização, na Guatemala.
A premiação distingue iniciativas que aceleram o crescimento e a modernização da infraestrutura portuária em toda a América Latina e no Caribe. Em outras premiações globais, a autoridade portuária do estado também já recebeu títulos por projetos de sustentabilidade, gestão eficiente e integração entre o porto e a cidade.
- O Moegão custou mais de R$ 650 milhões para ser construído.
- A nova estrutura aumenta a capacidade de receber trens de 550 para 900 vagões por dia.
- O sistema consegue processar até 24 milhões de toneladas de grãos anualmente.
- O projeto reduziu de 16 para apenas cinco cruzamentos entre trens e caminhões.
- A obra foi desenvolvida especificamente para as necessidades logísticas do Paraná.
Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, celebrou a conquista. Ele destacou que o Moegão é um marco na engenharia portuária mundial. Segundo o gestor, o prêmio valida o trabalho e a dedicação de toda a equipe, que busca excelência operacional com foco nas pessoas e no desenvolvimento da cidade.
AGILIDADE, CAPACIDADE E SEGURANÇA NO NOVO SISTEMA
O Prêmio Legado valoriza ações de gestão que impulsionam projetos estratégicos para a modernização da região. O Moegão centraliza a descarga ferroviária de soja, milho e farelos no Porto de Paranaguá. O sistema distribui automaticamente as cargas para os 11 terminais do Corredor de Exportação Leste, eliminando gargalos na operação.
A nova estrutura amplia a capacidade diária de recepção ferroviária de cerca de 550 para até 900 vagões. Isso representa um aumento de aproximadamente 63% na capacidade de processamento. O sistema terá potencial para receber até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, fortalecendo a posição do Brasil no mercado de exportação.
Garcia explicou que o projeto foi desenvolvido exclusivamente para o Paraná. A iniciativa começou em 2020, com trabalho conjunto do Governo do Estado, da Portos do Paraná e da comunidade portuária. Agora, ao final de 2026, a obra será entregue, transformando a logística portuária, especialmente no segmento ferroviário.
MAIS SEGURANÇA E MENOS CROZAMENTOS NO CORREDOR LESTE
O projeto também reorganiza a circulação interna do porto. A infraestrutura ferroviária e rodoviária na região leste foi reconfigurada para evitar conflitos entre os modais. A mudança reduz de 16 para cinco as interferências rodoferroviárias na área. Essa alteração deverá aumentar a segurança, diminuir as paralisações e reduzir a necessidade de manobras complexas.
Além da Portos do Paraná, única representante brasileira premiada nesta edição, outras duas entidades da América do Sul foram reconhecidas. A Administración Nacional de Puertos, do Uruguai, ganhou o prêmio de Desenvolvimento Sustentável. O terminal Terminales Portuarios Euroandinos Paita S.A., do Peru, venceu na categoria de Desenvolvimento do Capital Humano.
O prêmio uruguaio, denominado Agustín Díaz, reconheceu o projeto de Inovação em Engenharia Portuária e Marítima Sustentável. O terminal peruano foi agraciado com o prêmio Armando Duarte Peláez. O reconhecimento foi voltado ao Programa de Mentoria para o Desenvolvimento do Talento Feminino TPE WISTA Peru.
RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E GERAÇÃO DE RENDA NO LITORAL
A Portos do Paraná também inscreveu o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) na categoria Desenvolvimento Sustentável. A categoria reconhece políticas portuárias focadas na sustentabilidade. O foco principal é a redução dos impactos ambientais e a melhora da eficiência energética nas operações.
O PRAD busca recuperar a vegetação das margens dos rios que deságuam no estuário de Paranaguá. A iniciativa pretende reduzir o acúmulo de sedimentos nas áreas navegáveis. Isso diminui a necessidade de dragagens de manutenção, garantindo o calado necessário para a operação dos grandes navios.
O projeto contempla a recuperação de 40 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no município de Antonina, no litoral paranaense. A iniciativa integra conservação ambiental, produção de alimentos, geração de renda, educação ambiental e participação comunitária local.
Os benefícios ultrapassam as áreas diretamente recuperadas. A recomposição da vegetação ajuda a conservar a biodiversidade e favorece a fixação de carbono. A proteção dos recursos hídricos também é garantida. A redução do aporte de sedimentos nos rios diminui a necessidade de dragagens, contribuindo para a eficiência das operações portuárias.


Foto: Portos do Paraná



