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OMS alerta: 2 em cada 3 jovens europeus sofreram abusos na infância

SAÚDE Saúde 06/10/2026 15:14 Agência Lusa / Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Novo estudo da Organização Mundial da Saúde revela que a maioria dos jovens na Europa vivenciou traumas graves na infância, o que impacta sua vida adulta, saúde mental e estabilidade econômica, exigindo ação imediata dos governos.

Dois em cada três jovens europeus afirmam ter sido vítimas de abusos, negligência, violência doméstica ou outras experiências difíceis semelhantes durante a infância. Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo do estudo foi entender como esses traumas da infância impactam a vida desses indivíduos hoje.

O estudo foi realizado com 26 mil pessoas de 18 a 30 anos na União Europeia, Noruega e Islândia. Os resultados mostram que um em cada cinco entrevistados revelou ter vivido quatro ou mais tipos de experiências adversas na infância. Esses traumas incluem violência física, emocional ou sexual, além de negligência.

  • O estudo ouviu 26 mil jovens europeus entre 18 e 30 anos.
  • 76,3% dos jovens com traumas precisam de ajuda profissional em saúde mental.
  • Os dados foram coletados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
  • Jovens com mais traumas tendem a abandonar a escola e ficar desempregados.
  • A OMS pede que escolas, hospitais e justiça ajudem a quebrar o ciclo de violência.

Impactos na saúde mental e no comportamento

Entre os jovens que relataram múltiplos traumas, 76,3% afirmaram ter necessitado de apoio profissional em matéria de saúde mental. Isso demonstra a gravidade das consequências emocionais de uma infância violenta ou negligenciada. Esses jovens carregam marcas profundas que afetam suas relações e seu bem-estar psicológico.

O grupo também apresenta maior probabilidade de sofrer violência, mas também de a exercer. Os dados indicam que esses indivíduos frequentemente foram alvo de 'ciberbullying' durante a infância. A violência digital contribuiu para a formação de atitudes agressivas ou, em alguns casos, para a repetição dos comportamentos abusivos na vida adulta. Os dados foram recolhidos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Riscos sociais e econômicos da negligência

A OMS indica que a maior exposição a experiências adversas na infância aumenta o risco de abandono escolar, desemprego ou de viver em famílias de baixos rendimentos. Os traumas atrapalham o aprendizado e a capacidade de inserção no mercado de trabalho. Muitos jovens não conseguem concluir seus estudos devido à instabilidade emocional e familiar.

Os entrevistados tendem também a revelar menor confiança nos outros e um fraco sentimento de pertença à comunidade. Isso gera isolamento social e dificuldades para construir relacionamentos saudáveis. A falta de apoio familiar na infância cria barreiras duradouras para a integração social e profissional no futuro.

Quando uma criança cresce num ambiente de violência ou num lar em crise, não nos deve surpreender que essas experiências a acompanhem anos mais tarde na escola, no mercado de trabalho e nas suas relações, afirmou a diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, Natasha Azzopardi-Muscat.

Ela destacou que não se trata de um problema que afeta apenas uma minoria, nem apenas uma questão de saúde mental. A diretora enfatizou que é um desafio social e econômico que exige a intervenção de vários setores além dos serviços de saúde. É necessária uma abordagem conjunta entre governo, escolas e empresas para combater essa crise silenciosa que afeta a sociedade europeia como um todo.

Recomendações para quebrar o ciclo de violência

Diante dos resultados alarmantes, a OMS apelou a medidas para combater as condições que favorecem essas situações. A organização destaca a importância de lutar contra a pobreza, a exclusão social e a violência nas comunidades. Reduzir a desigualdade é um passo fundamental para prevenir que novas gerações sofram os mesmos traumas.

A organização recomendou ainda que os sistemas de saúde e apoio social, bem como de educação e justiça, sejam capazes de identificar e responder de forma adequada às pessoas afetadas por adversidades na infância. O objetivo é ajudá-las a quebrar o ciclo antes de ele ser transmitido à geração seguinte. A identificação precoce e o tratamento contínuo são essenciais para reverter os efeitos dos traumas.


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