Pesquisa da Simples Dental mostra que metade dos brasileiros sofre com medo de ir ao dentista, o que leva ao adiamento de consultas e prejuízos à saúde bucal. O atendimento acolhedor e a proteção de dados são vistos como fatores de confiança.
Um novo estudo aponta que 5 em cada 10 brasileiros sentem medo de ir ao dentista. Desses, 20% relatam quadros de ansiedade antes das consultas. O receio é tão forte que muitas pessoas acabam evitando o consultório, condição conhecida como odontofobia.
O levantamento foi realizado pela Simples Dental, principal software de gestão odontológica da América Latina. A empresa ouviu 500 brasileiros de todas as regiões do país para entender essa relação de medo e confiança com a odontologia.
- 50% dos entrevistados têm medo de ir ao dentista, sendo que 20% sofrem de ansiedade antes da consulta.
- 35% adiam consultas por pelo menos seis meses devido ao receio; 22% ficam mais de um ano sem atendimento.
- 64,6% citam o medo da dor, agulhas e anestesia como principal causa do temor.
- 76% mudaram de opinião sobre dentistas após receberem atendimento acolhedor e explicativo.
- 34,4% pagariam 10% a mais por consultas humanizadas; 58,8% reclamam da falta de clareza na proteção de dados.
O som do aparelho, a anestesia e lembranças ruins da infância são fatores que alimentam esse medo. Segundo a pesquisa, 35% dos respondentes afirmaram já ter adiado consultas por pelo menos seis meses. Para 22%, esse período de espera chegou a superar um ano inteiro sem nenhum cuidado profissional.
Esses longos intervalos podem comprometer seriamente a saúde bucal, transformando pequenos problemas em tratamentos complexos. Os dados indicam que a origem do medo é multifatorial, mas a dor é o principal gatilho.
Origem do Medo: Dor, Passado e Ambiente
Para 64,6% dos entrevistados, o medo da dor, das agulhas e da anestesia é o principal agravante. Em seguida, aparecem as experiências ruins vivenciadas no passado, especialmente na infância, mencionadas por 50,2% dos participantes. O barulho, o cheiro ou a aparência dos equipamentos também contribuem, citados por 36,2%.
Samuel Suhwan Oh, Diretor de Marketing da Simples Dental, explica que a relação com o dentista começa antes da consulta. Muitas vezes, o paciente chega ao consultório carregando experiências anteriores, algumas delas desde a infância, o que pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida e influenciar a forma como ela cuida da própria saúde bucal. Isso mostra que a confiança é um ativo que se constrói ao longo do tempo. Para clínicas e consultórios, entender essa jornada é o primeiro passo para criar uma relação mais tranquila e duradoura com quem atendem, afirma.
O executivo destaca a tecnologia como aliada nessa mudança. Se o ambiente e os equipamentos do consultório são fatores que geram receio, a modernização da clínica à forma como o atendimento é organizado, ajuda a construir uma experiência mais confortável e previsível para o paciente. Nesse cenário, o dentista pode usar a tecnologia a seu favor, buscando equipamentos mais modernos e amigáveis, que tornem a experiência mais confortável para quem tem receio.
O Poder do Atendimento Humanizado
Se o medo afasta, o acolhimento aproxima. De acordo com o estudo, atendimentos acolhedores mudaram positivamente a percepção de 76% dos brasileiros em relação ao dentista. Esse efeito positivo acontece quando há cautela durante o procedimento, explicações claras e pausadas ou palavras encorajadoras do profissional.
O impacto dessa proximidade também tem reflexo financeiro para as clínicas. A maior parcela dos entrevistados (34,4%) destacou que pagariam 10% a mais por consultas humanizadas. Já 23,2% dos respondentes pagariam até 20% a mais por esse tipo de atendimento, e 14,4% investiriam até 30% a mais. Os números mostram que, na prática, a qualidade do atendimento pesa tanto quanto o conhecimento técnico do profissional.
Além de amenizar o medo, essa diferença no cuidado cria vínculos duradouros. Hoje, 6 em cada 10 entrevistados afirmaram ter um dentista de confiança, com quem se sentem à vontade para dialogar e expor suas visões sobre o próprio tratamento. Samuel ressalta que o atendimento humanizado deixou de ser um diferencial e passou a fazer parte da estratégia de qualquer clínica que queira crescer de forma sustentável.
Quando o profissional conhece o histórico do paciente, se comunica com clareza e acompanha cada etapa do tratamento, ele tranquiliza quem tem receio e, ao mesmo tempo, fideliza. Para quem atua de forma autônoma ou está começando, essa relação de confiança é o que sustenta o consultório no longo prazo, destaca o diretor.
Tecnologia e Proteção de Dados
Além do atendimento clínico mais humano, a experiência digital ganha relevância na relação com o paciente. A proteção de dados se destaca como um dos fatores que mais comunicam cuidado e atenção, segundo 64,2% dos entrevistados. Esse aspecto supera a facilidade para agendar e confirmar consultas, citada por 61,4%.
No entanto, o dado acende um ponto de atenção para o setor: embora a proteção de dados seja considerada essencial, a maioria dos entrevistados (58,8%) afirma que, na experiência pessoal, as clínicas não pediram autorização ou explicaram como guardam ou usam suas informações.
A confiança do paciente também passa pela forma como a clínica cuida das informações dele, avalia Samuel. Ser transparente sobre quais dados são coletados, como são armazenados e para que são usados é uma forma simples de demonstrar respeito. Com uma gestão organizada e ferramentas seguras, o profissional ganha tranquilidade para focar no que realmente importa: o cuidado com cada paciente, conclui.
Metodologia da Pesquisa
Entre os dias 16 e 19 de outubro, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais. Os participantes responderam a 10 perguntas que investigaram a relação dos brasileiros com os dentistas, o que os afasta e os aproxima dos consultórios e o impacto da tecnologia nesse contato.


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